Evil Machines, o Musical de Terry Jones

Em 2011, o python Terry Jones escreveu uma ópera, intitulada The Doctor’s Tale (O Conto do Doutor).

Já falamos sobre essa ópera aqui.

Mas, alguns anos antes, ele se aventurou pelo maravilhoso mundo dos musicais. Foi quando escreveu Evil Machines – o musical.

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Com letra de Jones e melodia do compositor português Luís Tinoco, o musical estreou em janeiro de 2008, em Lisboa, e foi um sucesso de público e de crítica.

HISTÓRIA
Jones foi convidado pelo Teatro São Luiz depois de uma apresentação muito bem sucedida de Contos Fantásticos (Fantastic Histories), uma peça baseada nas histórias fantásticas de Jones, também com músicas de Luís Tinoco.

O musical conta a história de eletrodomésticos que se rebelam contra seus donos:

Num mundo em que as máquinas e os seres humanos podem se comunicar entre si e partilhar as mesmas esperanças e aspirações, certas máquinas têm uma agenda diferente. Há um Aspirador de Pó que tenta dominar o mundo. Há um Carro que rapta pessoas. Há duas Motocicletas que assaltam um banco e um Elevador que leva as pessoas a lugares onde não querem ir, além de um Telefone que diz o que as pessoas gostariam de dizer, trazendo resultados terríveis para a Sra. Morris, a senhora que o comprou.

Evil-Machines-02O LIVRO

Evil Machines foi lançado pela editora on-line Unbound, em 4 de novembro de 2011.

Com ilustrações de Ryan Gillard e Keira Kinsella, esse foi o primeiro livro do mundo a ser publicado por um site de financiamento público.

O conceito das histórias surgiu na mente de Jones em um carro.

“Eu estava dirigindo por Londres e parei quando o semáforo estava vermelho. De repente, as palavras Máquinas Diabólicas vieram em minha mente e eu pensei ‘bem, esse é um bom título’, então eu fui para casa e comecei a escrever as histórias”.

É um livro que contém treze contos interligados:

O Telefone Sincero
A Bomba Boa
O Elevador Que Levava Pessoas Para Lugares Que Elas Não Queriam Ir
Motocicletas Ladras
O Carro Sequestrador
O Aspirador de Pó Que Era Muito Poderoso
O Trem Para Qualquer Lugar
O Foguete Para o Inferno
O Criador e Outras Maravilhas
As Coisas do Dia Começam a Dar Errado
O Castelo da Imaginação
O Fim da Vida
A Máquina do Amor


Confira aqui a entrevista que Terry Jones cedeu ao jornal português Público:

Qual é a sua relação com a tecnologia, visto que Evil Machines é uma história sobre a relação dos humanos com as máquinas?
A minha relação com a tecnologia é, como deve ser para todos, uma bênção mista. Resisti durante muito tempo a ter computador. Dizia “a minha máquina de escrever serve perfeitamente”, mas acabei por sucumbir. Lutei contra ter um celular por muito tempo, mas uso um, embora esteja quase sempre desligado.

Teve algum papel na escolha dos 13 atores e cantores?
Sim, eu e a Anna Soderstrom [sua esposa], que escreveu a história comigo, estivemos em Lisboa em Maio com o Luís Tinoco e com o Cesário Costa. Passamos um dia no teatro e vimos cerca de 32 cantores. Depois do Luís e do Cesário avaliarem a forma como cantavam, eu subia para o palco e atuava um pouco com eles. Na verdade, atribuímos os papéis nesse dia.

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Colocou máquinas mais antigas no papel das máquinas que vão exterminar a humanidade. Porque não foram os iPods ou os aparelhos de GPS lutando pela sua honra?
É uma boa questão, os mais maliciosos deviam ter sido os iPods. Mas há uma divisão no mundo das máquinas na história. Os eletrodomésticos têm noção de que se os humanos se tornarem obsoletos não terão trabalho.

No 3º ato, quando tudo se torna uma questão de ver quem é mais inteligente, criador ou criatura, tudo acaba reduzido a um concurso de TV. É a isso que a nossa cultura reduziu o conhecimento?
Tem razão. A nossa sociedade, através da televisão, está nivelando tudo num patamar muito baixo. É um triste estado de coisas.

Thiago Meister Carneiro

Jornalista Especialista em Estudos Linguísticos e Literários, 38 anos na cara. Às vezes grava o podcast Pythoneando, e às vezes assiste Monty Python na Netflix. Autor do livro "A História (quase) Definitiva de Monty Python"

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