“Fizemos Tudo o que Disseram Para não Fazermos”

Em entrevista ao jornal norueguês Dagbladet.no, Michael Palin contou de como gosta de escrever e dos seus programas de viagens.

Confira aqui um trecho dessa entrevista:

“Michael Palin é veterano na Noruega como romancista. O livro “The Truth!” (“A Verdade” em português, e “Helt sant!” em norueguês) é uma fábula satírica sobre um jornalista decadente que escreve a biografia do lendário ativista ambiental Hamish Melville.

Um escritor que chama o livro “A Verdade” deve ser louco ou muito irônico?
Eu sou um pouco de ambos. É claro que o livro é satírico. O que é idealismo? E o que é a verdade? Se trata de saber de tudo, ou de nada.

Não é totalmente o contrário do que o Monty Python defendia?
Absolutamente. Viramos o mundo de cabeça para baixo. Fizemos tudo o que nos disseram que não poderíamos fazer. Para nós o absurdo era um estado natural.

Seu caminho é de sucesso em sucesso, mas o personagem principal do livro é um perdedor. Você tem algo em comum com ele?
Eu nunca sinto que o que faço é garantia de sucesso. Todas as batalhas devem ser vencidas. Eu amo escrever, e é sempre um desafio. Pode-se sempre fazer melhor. Cada escritor faz questão de dizer qualquer coisa que não tenha sido dito antes, pelo menos não da mesma forma.

Você já fez uma série de programas populares para a BBC. Como é que a sua indústria?
Eu cresci em Sheffield. Lá, eu me senti preso. Eu lia muita literatura de viagens e sonhava em fugir. No período Monty Python viajamos muito, mas não era o que eu esperava, em termos de viagens. Gostaria de ver mais do que hotéis e teatros. Em 1988, apareceu um produtor da BBC que queria que eu fosse um apresentador em uma versão cinematográfica de “A Volta ao Mundo em 80 Dias”, de Júlio Verne. “Só você pode fazer isso com o seu humor, a sua independência”, ele disse. Fiquei lisonjeado. Um pouco depois, chegamos a Madras. Estávamos cansados​​ e tomamos uma cerveja. De repente, ele confessou: “Você foi a nossa quinta opção, mas o único que disse sim”.

E a série em que você viajou seguindo os passos de Hemingway?
Eu li tudo sobre Hemingway. Ele era um grande viajante, sempre em movimento. Assim, eu dei à luz a ideia de seguir seus passos pela Itália, Espanha, África e Cuba.

(com informações de Fredrik Wandrup – Dagbladet.no – 25-03-2013)

Thiago Meister Carneiro

Jornalista Especialista em Estudos Linguísticos e Literários, 38 anos na cara. Às vezes grava o podcast Pythoneando, e às vezes assiste Monty Python na Netflix. Autor do livro "A História (quase) Definitiva de Monty Python"

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *