John Cleese Fala de Sua Infância Triste

john cleese e pai monty pythonO jornal The Telegraph fez uma matéria com um trecho da autobiografia de John Cleese, So Anyway…

É um trecho bem triste, que conta a dificuldade na relação que o python tinha com sua mãe:

“Eu estava um pouco magro e inseguro quando esta fotografia foi tirada. Estou retratado com nove anos, com meu pai, em Weston-super-Mare, em 1949. Meu olhar é virginal, querendo saber sobre a vida, em grande parte porque meu pai cuidou de mim um pouco demais, para compensar a minha mãe, que não era emocionalmente disponível”.

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“Quando eu compartilhava minhas preocupações com o pai, costumávamos caminhar de mãos dadas. Eu não me lembro de ficar de mãos dadas com a mamãe. Meus pais estavam casados ​​há 13 anos quando eu nasci. Mamãe costumava me apresentar com as palavras: ‘Este é meu filho, John. Ele foi um acidente’.”

“Papai era um cavalheiro, no melhor sentido da palavra. Eu nunca ouvi ele gritar ou usar linguagem grosseira. Ele também era muito inteligente, mas não era um homem educado e nunca foi ambicioso. Felizmente, teve um emprego pela vida toda”.

John e sua mãe, Muriel

“Eu realmente não sei o que o pai fez na Primeira Guerra Mundial. Ele era segundo tenente, mas foi invalidado por causa de ferimentos causados ​​por estilhaços. Ele tinha 14 funcionários e vivia como um príncipe, compartilhando uma casa com o irmão. Depois de três anos, ele foi transferido para Hong Kong e, em seguida, Cantão, na China, onde visitou um antro de ópio, fez tatuagens e comeu um cachorro (bem, ele comeu um prato delicioso que depois descobriu ser de cachorro)”.

“Eu gostava muito dele, mas cresci distante dele na vida adulta. Meus pais não entendiam minha carreira no showbiz. Meu pai me sugeriu que eu procurasse um trabalho mais sensato, no Departamento Pessoal da Marks & Spencer. Ele morreu em 1972. Fumava 40 cigarros por dia e tinha bronquite e enfisema”.

“Na ambulância, ele me disse: ‘Não se preocupe, filho, eu vou estar de volta em alguns dias’. Eu disse: ‘Eu sei, pai’. Realmente não dizemos adeus um ao outro porque estávamos um negando ao outro”.

Thiago Meister Carneiro

Jornalista Especialista em Estudos Linguísticos e Literários, 38 anos na cara. Às vezes grava o podcast Pythoneando, e às vezes assiste Monty Python na Netflix. Autor do livro "A História (quase) Definitiva de Monty Python"

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