Terry Jones e os Desafios da Idade Média

Na Universidade de Oxford, Terry Jones (quando ainda era conhecido como Terrence), estudou Letras.

Mas, logo após ter conhecido Michael Palin (quando ainda era conhecido como Michael Palin), ele mudou de curso e passou a estudar História Contemporânea.

Depois de formado, então, seu interesse por História ultrapassou os limites da contemporaneidade e viajou por quase todas as épocas.

LIVROS
Uma das épocas que Jones se interessou muito foi a Idade Média.

Então, ele escreveu alguns livros e artigos sobre esse tema, e se especializou cada vez mais.

Foi aí que decidiu que já estava na hora de criar um documentário em episódios sobre esse tema que tanto o cativara.

SÉRIE
Em 2004, ele escreveu, produziu e apresentou a série Terry Jones’ Medieval Lives, que recebeu uma indicação ao Emmy 2004 de Melhor Roteiro de Programa Não-Ficção pelo episódio “O Camponês”.

Produzido pela BBC, o documentário foi transmitido no dia 3 de janeiro, e no dia 9 de fevereiro, ele foi lançado oficialmente em DVD.

Infelizmente, o DVD não foi lançado no Brasil.

Com 4 horas de duração divididas em 8 episódios, o programa argumenta que a Idade Média foi um período mais sofisticado do que é popularmente pensado.

MISÉRIA
Os estudos de Terry Jones costumam quebrar algumas “verdades” criadas, como, por exemplo, o fato de que os camponeses não viviam na miséria completa, mas possuíam alguma propriedade valiosa.

As divisões de classe também não eram tão graves como pensamos. Havia casos de pessoas que nasciam pobres, mas que rapidamente conseguiam se elevar para posições sociais muito altas.

REALEZA
No episódio que trata de reis, Jones explica que a história não é necessariamente o que aconteceu. “É muitas vezes o que as pessoas querem que a gente acha que aconteceu”.

Ele usa os seguintes exemplos:

Ricardo Coração de Leão foi realmente um rei mau, que só viu a Inglaterra como um meio de financiar o seu belicismo, enquanto Ricardo III fez muita coisa boa para a Inglaterra.

Isso é uma afirmação polêmica, já que o primeiro sempre foi visto como um bom rei, e o segundo, o malvadão. Segundo o python, essas modernas percepções são invertidas por causa dos cronistas da época, que foram contratados para escrever o que era politicamente mais conveniente.

Outro exemplo é o do rei Louis, conde de Artois, que foi aclamado rei da Inglaterra, mas nem aparece nos livros de história como tal.

MOTIVAÇÃO
Em um artigo para o jornal The Observer, Jones explicou sua motivação para fazer esta série:

“A principal razão era conseguir o meu próprio retorno da Renascença. Não que o Renascimento tenha me feito algum mal pessoalmente, é que eu fico doente com a maneira que s olhos das pessoas brilham quando começam a falar sobre esse assunto”.

“Estou farto de críticos de arte que tendem a dizer ‘Ah, a renascença’, com aquele ar satisfeito de alguém que está menosprezando tudo. Estou farto dessa suposição ridícula de que os seres humanos da Renascença não tinham senso de individualidade”.

EPISÓDIOS:

  1. The Peasant (O Camponês)
  2. The Monk (O Monge)
  3. The Damsel  (A Donzela)
  4. The Minstrel (O Menestrel)
  5. The Knight (O Cavaleiro)
  6. The Philosopher – Alchemist (O Filósofo – Alquimista)
  7. The Outlaw (O Fora-da-lei)
  8. The King (O Rei)

Thiago Meister Carneiro

Jornalista Especialista em Estudos Linguísticos e Literários, 38 anos na cara. Às vezes grava o podcast Pythoneando, e às vezes assiste Monty Python na Netflix. Autor do livro "A História (quase) Definitiva de Monty Python"

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